A planície costeira de Guarujá, modelada por sedimentos marinhos e flúvio-lagunares do Quaternário, apresenta uma alternância crítica entre areias finas de granulometria muito uniforme e camadas de argila orgânica mole com profundidades que podem ultrapassar os 15 metros na região de Vicente de Carvalho. Trabalhar com fundações ou aterros neste município sem conhecer a distribuição exata dos tamanhos de partículas é um risco que nenhum projeto deveria assumir. A análise granulométrica conjunta — que combina o peneiramento da fração grossa com a sedimentação da fração fina via ensaio de hidrômetro — entrega a curva que o engenheiro geotécnico precisa para prever o comportamento do solo sob cargas estáticas e fluxo hídrico. Em solos onde a presença de matéria orgânica altera a plasticidade, a granulometria também serve de base para correlacionar com os limites de Atterberg e, quando há suspeita de lentes de areia fofa abaixo do lençol freático, o resultado orienta a necessidade de uma investigação complementar com sondagens SPT para avaliar o potencial de liquefação.
A curva granulométrica não é um gráfico ilustrativo — é a assinatura do depósito sedimentar e o primeiro indicador de risco de piping, liquefação e recalque diferencial.
Procedimento e escopo
Um erro comum em obras no litoral de Guarujá é assumir que a areia da praia e a areia de fundação de um aterro hidráulico se comportam da mesma forma. A diferença está nos finos: um solo com 12% de silte e argila tem permeabilidade e ângulo de atrito completamente distintos de uma areia limpa com menos de 2% de finos. Nossa metodologia segue estritamente a ABNT NBR 7181:2016, iniciando com a preparação da amostra por via úmida para garantir a dispersão total das partículas sem quebrar os grãos. O peneiramento fino é executado em agitador mecânico por tempo padronizado, e a fração passante na peneira nº 200 (0,075 mm) segue para o ensaio de sedimentação com densímetro calibrado, onde registramos leituras a 15 segundos, 30 segundos, 1, 2, 4, 8, 15, 30 minutos e assim sucessivamente até 24 horas. O controle de temperatura durante todo o processo é essencial, pois a viscosidade da água varia com o calor típico de Guarujá, e o densímetro é corrigido para cada leitura conforme a norma exige. Em paralelo, para solos siltosos que exigem verificação da resistência não drenada, a equipe frequentemente recomenda o
ensaio triaxial como etapa seguinte na campanha de investigação.
Dúvidas habituais
Qual a diferença entre uma granulometria simples e o ensaio completo com hidrômetro?
A granulometria simples cobre apenas o peneiramento da fração grossa (areia e pedregulho), parando na peneira nº 200 (0,075 mm). Já o ensaio completo — que executamos conforme a ABNT NBR 7181:2016 — inclui a sedimentação da fração fina com densímetro, permitindo quantificar os percentuais de silte (0,075 mm a 0,002 mm) e argila (abaixo de 0,002 mm). Em Guarujá, onde muitos solos têm teores elevados de finos orgânicos, o ensaio completo é indispensável para prever recalques por adensamento e para classificar corretamente o solo no sistema SUCS.
Quanto custa uma análise granulométrica completa em Guarujá?
O valor é de $100.000, que já inclui a preparação da amostra, o peneiramento fino e grosso, e o ensaio de sedimentação com hidrômetro por 24 horas, além do relatório técnico com a curva combinada e a classificação do solo. Para campanhas com mais de 5 amostras, consulte-nos sobre condições especiais.
Como coletar a amostra indeformada para o ensaio granulométrico?
Para o ensaio granulométrico, a amostra não precisa ser indeformada — utilizamos amostras deformadas representativas, coletadas em sacos plásticos lacrados com identificação da profundidade. A quantidade mínima é de 1 kg para solos arenosos e 500 g para siltes e argilas. Se a amostra vier de furo de sondagem, orientamos que seja retirada do trado ou do amostrador bipartido, evitando contaminação entre camadas, o que é crítico nos perfis estratigráficos heterogêneos de Guarujá.
Em quanto tempo sai o resultado do ensaio com hidrômetro?
O prazo de entrega do relatório completo é de 5 dias úteis a partir do recebimento da amostra em nosso laboratório. O ensaio de sedimentação propriamente dito exige 24 horas ininterruptas de leituras, e as 48 horas seguintes são dedicadas ao processamento dos dados, plotagem da curva granulométrica combinada, cálculo dos coeficientes Cu e Cc, e classificação do solo. Para obras com cronograma mais apertado, oferecemos a modalidade expressa com entrega em 3 dias úteis.