Com 322 mil habitantes e ocupação intensa na planície costeira, Guarujá lida com uma sequência sedimentar que alterna areias finas quartzosas e camadas de argila orgânica mole — a SPT muitas vezes não entrega resolução suficiente nessas transições. O ensaio CPT com cone elétrico resolve isso ao registrar resistência de ponta (qc), atrito lateral (fs) e poropressão (u₂) a cada 2 cm de profundidade. Em terrenos onde o nível d'água aparece a menos de 1 metro, como na região da Enseada, a rapidez do CPT reduz o tempo de exposição do furo e elimina a necessidade de amostragem que se desmancha na retirada. O equipamento que operamos tem célula de carga compensada em temperatura, seguindo a ABNT NBR 12069, e os dados alimentam diretamente a classificação de Robertson (1986) para definição do tipo de solo em tempo real.
Em sedimentos costeiros de Guarujá, o CPT captura lentes de 10 cm que um SPT espaçado a metro nunca vai enxergar.
Dúvidas habituais
Qual a profundidade máxima que o ensaio CPT atinge em Guarujá?
Depende da resistência do solo. Com nosso equipamento de 20 tf de empuxo, em areias compactas da região da Enseada chegamos a 25 metros. Em argilas moles do Mangue Seco, a cravação pode ultrapassar 35 metros sem encontrar impenetrável. Sempre informamos a cota de parada quando o qc atinge 50 MPa de forma contínua ou a inclinação do cone excede 15°.
O ensaio CPT substitui a sondagem SPT em Guarujá?
Complementa, não substitui. O CPT fornece perfil contínuo de resistência e classificação do solo sem coleta de amostra. A SPT é necessária quando a norma exige amostra indeformada para ensaios de laboratório. Em projetos de fundação profunda, combinamos os dois: o CPT define o perfil estratigráfico detalhado e a SPT valida com amostras nos pontos críticos.
Qual o custo de uma campanha de CPT em Guarujá?
O valor de referência para um furo de CPT com piezocone em Guarujá fica em torno de $100.000, dependendo da profundidade atingida e da quantidade de ensaios de dissipação solicitados. A mobilização da unidade de cravação e o relatório com classificação de Robertson já estão inclusos nesse valor base.
Como o CPT mede o nível d'água no terreno de Guarujá?
Medimos a poropressão de equilíbrio hidrostático após a dissipação completa do excesso gerado pela cravação. Em solos arenosos, a dissipação é rápida (menos de 5 minutos); em argilas, pode levar horas. O valor estabilizado da u₂ nos dá a pressão neutra in situ e, com a profundidade, calculamos o nível freático real — que em Guarujá costuma estar entre 0,5 e 2 metros.
O ensaio CPT detecta camadas de solo mole que a SPT não identifica?
Sim. O cone registra valores a cada 2 cm, enquanto a SPT tem leitura a cada metro. Lentes centimétricas de argila orgânica ou turfa, comuns nos sedimentos de baía da região de Guarujá, aparecem como quedas bruscas de qc e picos de poropressão. A SPT pode atravessar essas lentes sem registrá-las, subestimando o potencial de recalque diferencial.